Fotografia de Cinema – The end of the f * * * ing world

Com a fotografia é possível criar histórias completas, seja como uma só imagem ou com um conjunto de imagens. No universo audiovisual temos outros elementos que ajudam nesse processo de contar histórias ao público, como as trilhas sonoras, movimentos de câmera, transições, efeitos especiais, etc. Quando todos esses objetos estão alinhados, rimando entre si, temos uma obra mais rica, que nos transmite mais emoções e com mais recursos para transmitir sua mensagem.

Antes de conhecer a série inglesa The End of The F***king World, eu escutei de algumas pessoas que ela tinha a estética muito bonita, quando assistir, além do enredo, me foquei em entender a fotografia que foi utilizada e o porquê dela transmitir essa sensação para as pessoas. Fiz recortes de cenas dos primeiros capítulos para ilustrar alguns pontos que observei como características da série e porque eu acredito que essas decisões foram tomadas. Então vamos lá!

A fotografia da série se caracteriza por fugir do padrão tradicional quando retrata os dois personagens principais, podemos citar alguns pontos relevantes:

  • Luz (quase) sempre difusa;
  • Segundo plano uniforme, com bastante vegetação escura;
  • Protagonista sempre no centro;
  • Protagonistas filmadas com tele e baixa profundidade de campo;
  • Quando os planos são abertos, tem-se um forte uso da simetria;
  • Quando se tem um flash back a proporção dos quadros muda de 16:9 para 4:3;
  • Os pontos de luz são fixos e as marcações dos atores nem sempre são exatas, embora as vezes a luz não favoreça o ator, dar um aspecto mais natural as cenas;

O ambiente contribui muito com o mood da série, por ter sido gravada no interior do Reino Unido temos muito o céu nublado que contribuiu com a luz difusa e também ter muita vegetação que naturalmente é escura, trazendo mais destaque aos personagens. Em cenas internas, geralmente se usa o fundo escuro marrom, como tijolos e madeira para garantir a paleta de cores da série.

Outra característica marcante é os protagonistas sempre no centro com um grande desfoque do fundo, isso combina muito com o perfil das personagens, pois eles estão no centro porque sempre pensam muito em si e o desfoque exagerado tanto no vídeo, como na fotografia, distância a pessoa do que está em volta, separando ela do ambiente e isso é o sentimento das personagens.

O único momento nos primeiros episódios que temos um dos dois fora de foco, foi quando ela se sente excluída da família e a direção de fotografia deixa isso evidente.

Outro aspecto da série é manter o protagonista sempre no centro, até mesmo nas cenas de conversa. O padrão é manter os personagens nas linhas dos terços, tanto quem está de costa, como quem está de frente. Porém aqui fugimos desse padrão clássico para manter as personagens no centro do quadro.

Em planos mais abertos, temos o lindo uso da simetria na composição, as vezes até abrindo mão de manter as personagens no centro.

Até mesmo quando se mostra os objetos, se usa o recurso da simetria.

Exceto quando falamos das casas, pela psicologia dos personagens não se sentirem confortáveis em uma casa e/ou sentirem que não tem um lar, as casas são retratadas anguladas, de baixo pra cima, levemente tortas, o que causa um certo desconforto comparado a o resto da estética da série.

Quando temos a inserção de outros personagens na série, esses conceitos não são aplicadas e se recorre ao estilo mais clássico de direção de cinema, temos o exemplo da entra na casa, quando é feito pelas personagens, se usa uma teleobjetiva, com o angulo mais fechada, um desfoque, quase como numa visão de voyer, quando a mesma cena é gravada pra mostrar o dono da casa entrando, temos uma lente mais aberta e com quase tudo em foco.

As lembranças são sempre retratadas numa proporção 4:3, proporção das TV’s analógicas, a primeira vez que observei este recurso sendo utilizado foi no filme Grande Hotel Budapeste e hoje é um recurso muito amplo nas séries.

Outro ponto bem relevante da série e que é muito importante para ser usado até na fotografia é que o ponto mais claro da cena geralmente é o ponto que se chama mais atenção.

Esses foram os aspectos mais importantes que observei na estética da série, mas tem vários outros elementos que merecem a atenção e ajudam muito a contar a história, então que tal revisitar a série e observar esses elementos?!

Qualquer dúvida é só deixar aí no comentário!! 😉

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