Esta semana rolou uma publicidade de um profissional que prometia isso e em muitos grupos de fotografia as pessoas ficaram descrentes e até mesmo um aluno me perguntou se isso era possível. Resolvi então escrever minha opinião completa sobre o tema e hoje o post vai fugir um pouco da fotografia, vamos falar de finanças!

Quando iniciamos na fotografia, geralmente nos espelhamos em referência que ganham prêmios, tem um trabalho impecável e geralmente cobram um valor muito acima do mercado. Por eles serem nossas referência fotográficas, viram também referência de profissional bem sucedido e acabamos por esquecer outros modelos de negócios.
Tenho certeza que você que está lendo este texto não se espelhou naquele estúdio no centro que tem mais de 20 anos no mercado, trabalha com populares e tem preços bem baixos.
Quando se cria um negócio na fotografia é de vital importância definirmos quem é nossa persona, se vamos focar para o público classe C, B, A ou A+. Cada uma dessas classes tem valores diferentes, pedem um fluxo de trabalho diferente e tem um preço de serviço diferente. Mas cobrar barato não significa ter um menor lucro, este é um ponto onde as pessoas mais se confundem. A maioria da nossa população está na classe C e isso torna o negócio de fotografia popular mais escalável do que quem trabalha com a classe A+.
Conheço dois exemplos do Rio Grande do Sul, um trabalho com a classe A++, cobra a partir de R$ 59.000,00 por 4 horas de trabalho, mas como seu público é mais restrito, ele faz em média 6 trabalhos por ano. O segundo exemplo é um estúdio popular que cobra R$19,90 por foto e faz em média 70 ensaios por mês, vendendo em média 25 fotos por ensaio. No fim das contas os dois ganham aproximadamente a mesma coisa.
Quando se trabalha para uma classe mais alta e que paga mais, o serviço demanda exclusividade e tem que ser feito pessoalmente, o atendimento tem que ser muito bom, a sessão de fotos tem que ser mais que fotos e sim uma experiência, o tratamento das fotos tem que ser estilo publicidade e os produtos entregues tem que ser de alta qualidade e personalizado. Tudo isto é um custo alto de produção, tanto financeiro, como de tempo.
Ao se trabalhar com classes mais baixa, a exigência é menor para garantir o preço acessível, o atendimento pode ser padronizado de loja, você pode contratar outro profissional para fazer o serviço, o tratamento das fotos é o mais básico possível, por que nesse modelo de negócio a agilidade é importantíssima, para que se possa atender o maior número de pessoas.
Vamos agora fazer uma conta básica: você contrata um fotógrafo para trabalhar com você de quinta a domingo, exclusivamente para fotografar, o combinado de vocês é 7h/dia e ele ganha R$ 1500,00, além de ter segunda a quarta para fazer os trabalhos dele. Você agora consegue agendar 2 ensaios por dia pela tarde (você faz um e seu contratado faz outro) e 2 aniversários pela noite(do mesmo jeito do ensaio), de quinta a domingo. Como você vendeu a opção mais barata de 300,00 a pessoa tem a oportunidade de fazer compras extras, de fotos, álbuns, pôster, caneca, porta-retrato, etc. Você consegue subir seu ticket-médio de R$ 300,00 para pelo menos R$400,00. um mês tem 4 semanas e meia e você tá fazendo 8 trabalhos por semana, então:
Faturamento = (400*8*4,5) – 1500,00
Faturamento = R$ 12900,00
Na segunda você descansa, terça e quarta você separa as fotos, edita o básico e prepara entrega e assim consegue ganhar 10k cobrando 300,00 por trabalho.
Muitas vezes a parte do negócio da fotografia é ignorado, mas é um ponto vital para se ter sucesso. É importante saber em que nicho você vai trabalhar e com qual classe também, levando em consideração que há inúmeras maneiras de fazer esse negócio girar.
Dúvidas ou sugestões, pode deixar nos comentários. =)
