A série You da Netflix estreou em 2018 e na quinta-feira dia 26/12/19 vai estrear a segunda temporada, por causa disso resolvi revisitar a série e nos cinco primeiros minutos do episódio piloto, na apresentação do personagem, pude observador elementos encantadores e que reforçam vários itens observados no último post em que eu falei da Direção de Fotografia de the end of the f * * * ing world.
O começo da série nos mostra a tradição de toda série ou filme que é ambientar o espectador. Em alguns trabalhos fotográficos que observo, muitas vezes sinto falta disso, de elementos narrativos que ajudem a contar história e ambientar quem está olhando o trabalho.
Primeiro temos um plano mais aberto o possível da cidade e logo em seguida uma cena de rua que mostra a fachada da livraria onde a primeira cena acontece. Mas diferente do que estamos habituados, a apresentação do ambiente é muito curta logo partimos para os detalhes de uma pessoa entrando na loja.
Na cena marcada a direita, da pulseira, vemos um detalhe que vai se perpetuar nesta apresentação das personagens e rima com o roteiro, uma grande profundidade de campo distanciando ela do local e até mesmo mostrando que o local a princípio não é tão importante.
Na apresentação das personagens, na primeira cena em que eles aparecem da cintura pra cima, já temos um grande spoiler do que vai ser a série: o Joe de costa observando e a Beck sendo observada, mas mostrando apenas parte dela.
Depois que já temos uma ideia do que está acontecendo, finalmente somos apresentados ao lugar:

Podemos observar que a paleta de cores obedece ao mesmo padrão de tons quente, predominância de tons laranja e marrom que geralmente servem para indicar conforto, mostrar que é um ambiente receptível, não rimando com a narrativa da série, mas sim com o que as personagens sentiam naquele momento.
Pra não restar nenhuma dúvida, na segunda cena que temos o Joe, novamente só temos as costas dele e a perspectiva de que ele está observando alguém.

Logo em seguida, as personagens principais se encontram e começam um diálogo, Ela tem uma linda luz suave iluminando o rosto, obedecendo um padrão de iluminação loop que apenas evidencia o quanto ela é bonita, ele tem uma luz com mais contraste, mais dramática, mas nada que chame demasiada atenção ou nos cause desconforto. O importante nesse momento é frisar a quantidade desfoque utilizada, tirando qualquer atenção do lugar e mostrando que a importância ali é totalmente dos dois.
Até mesmo quando temos um plano mais aberto, apenas um aparece em foco por causa da grande abertura utilizada.

Essa magia do desfoque é quebrada na cena que aparece outro cliente ou o outro funcionário, nestes momentos se usa uma profundidade maior trazendo o expectador para a realidade.
Mas no momento que estão a sós, a magia do bokeh retorna.

Depois que eles se despedem, o Joe vai para a janela e o que até então parecia um simples flerte ou uma cena romântica ganha uma nova significância graças a fotografia e a trilha sonora. A trilha sonora destoa, nos deixando levemente desconfortáveis e é dado um superclose no Joe, para caso a sua aparição inicial não nos tenha colocado em alerta, esta cena final nos deixa com a pulga atrás da orelha de que há algo de errado.

É uma cena aparentemente simples, mas que nos prepara para o que vai acontecer no restante da série. Dúvida ou sugestão?! Deixe nos comentários abaixo!! =)










